A 20ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) reservou um espaço de destaque para a atriz e humorista Marisa Orth, que foi homenageada na edição deste ano. Em coletiva realizada na quinta-feira (26), ela defendeu o papel transformador da cultura, criticou desigualdades no acesso a bens culturais e propôs que a cidade de Ouro Preto sedie um curso de graduação em Cinema e Audiovisual, idealmente na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
“Isso aqui é quase um estúdio a céu aberto. A cidade tem tudo a ver com cinema”, afirmou a artista ao argumentar que Ouro Preto reúne elementos históricos, paisagísticos e simbólicos capazes de enriquecer a formação de profissionais do setor.

A programação da CineOP teve início na quarta-feira (25) e seguiu até 30 de junho, com atividades gratuitas que incluem exibições de filmes, rodas de conversa, oficinas, ações educativas e homenagens a nomes relevantes das áreas de preservação e formação audiovisual. Ao todo, 144 filmes integram a mostra, que reforça o compromisso com a memória do cinema brasileiro e com a construção de políticas públicas para o setor.
Ao ser reconhecida na Mostra, Marisa Orth também compartilhou reflexões sobre a comédia feita por mulheres — eixo que norteou a homenagem. Segundo ela, o avanço feminino no humor reflete o reconhecimento da capacidade intelectual das mulheres: “Quando a mulher conquista o humor, ela conquista o direito de ser ouvida pela inteligência.”
Crítica à concentração de acesso cultural, Marisa fez um apelo por mais democratização: “A cultura no Brasil ainda é vista como coisa de elite. Mas ela é direito de todos. O que temos é má distribuição de renda e de cultura.”
Natural de São Paulo e formada em Psicologia pela PUC-SP, Marisa também estudou interpretação na Escola de Arte Dramática da USP. Ganhou projeção nacional com a personagem Magda no seriado Sai de Baixo, exibido entre 1996 e 2002. Além da televisão, construiu carreira no teatro e na música, integrando por quase 20 anos a banda Vexame. Em sua fala à imprensa, a artista declarou carinho por Ouro Preto: “É uma cidade encantadora. Não tem como andar por aqui sem se impressionar com a beleza e a história das esquinas.”
UFOP projeta nova graduação voltada ao audiovisual
Coincidindo com as discussões trazidas pela atriz, a UFOP anunciou que estuda a criação de um curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual com foco em preservação. A proposta foi apresentada durante mesa na programação da Mostra por Frederick Magalhães, do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura (IFAC).
Segundo ele, a formação pretende unir prática criativa e estudo teórico, aproveitando o patrimônio histórico e cultural de Ouro Preto, que já serviu de cenário para importantes obras do cinema brasileiro, como Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade.
Além da homenagem a Marisa Orth, a CineOP também reconheceu o trabalho do professor João Luiz Vieira, com o Prêmio Preservação, e da educadora Maria Angélica Santos, com o Prêmio Cinema e Educação. Este ano, a programação inclui ainda a estreia da mostra competitiva “Arquivos em Questão”, que reúne longas-metragens que exploram criativamente imagens de arquivo.