O filme “Paraíso”, dirigido por Ana Rieper, foi o vencedor do prêmio do júri na primeira edição competitiva da Mostra de Cinema de Ouro Preto. Em sua 20a edição, a Mostra instituiu um prêmio a longas-metragens que se utilizam de imagens de arquivo.
Saudado pelo júri, o reconhecimento surge com o objetivo de “trazer maior visibilidade aos avanços da preservação audiovisual no país” a partir da organização do setor e dos debates e reflexões que são promovidos pela Mostra.
O texto lido pela jurada Sheila Schvarzman reconheceu os avanços do cinema de arquivo no Brasil, estimulando uma produção que tem crescido significativamente nas últimas duas décadas e consolidando a cultura do uso de material preservado em filmes e se estabelecendo como “uma das mais fortes tendências do cinema brasileiro contemporâneo”.
A decisão do júri para conceder o prêmio a “Paraíso” foi justificada por ser um “ensaio que propõe uma interpretação do Brasil a partir de imagens cinematográficas de diferentes origens” e por dialogar com uma rica tradição de pensamento crítico de intelectuais brasileiros. Além disso, a produção foi elogiada pela “rigorosa pesquisa em arquivos públicos, que permitiu o acesso a uma significativa coleção de imagens”.
O júri também ressaltou a inventividade, humor, indignação e empatia com que as imagens foram organizadas e ressignificadas numa obra “de caráter humanista e comprometida com o país”.

Ao entregar o prêmio a Ana Rieper, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, saudou a primeira edição do prêmio competitivo e os 130 anos do Arquivo Público Mineiro, espaço de armazenamento de materiais importantes da história brasileira.
O prefeito celebrou ainda as novidades anunciadas durante a mostra: a sala de cinema do Museu da Inconfidência passa a ter o nome do cineasta Joaquim Pedro de Andrade; e as obras de revitalização do Cine Vila Rica serão aceleradas, em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela Ufop.
Foto: Leo Lara