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PF desmantela máfia de 40 empresas de mineração

'São empresas com histórico um de violações aqui no nosso estado', afirmou Movimento pela Soberania Popular na Mineração

PF desmantela máfia de 40 empresas de mineração
Dentre os 14 presos até o momento, estão os principais investigados, como o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Seabra, além de empresários, funcionários públicos e um delegado. - Foto: Reprodução EBC
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A Polícia Federal deflagrou ontem, 17, uma operação para desmantelar um esquema criminoso de fraude em licenças ambientais na área de mineração.

Foram cumpridos mandados de prisão contra 17 indivíduos e realizadas 79 buscas em Belo Horizonte e outras cidades de Minas Gerais, incluindo a Cidade Administrativa, residências de luxo e empresas mineradoras.

Entre os detidos até agora, está o diretor da Agência Nacional de Mineração, Caio Mário Seabra, juntamente com empresários, servidores públicos e um delegado.

Especialistas apontam que esse tipo de delito está diretamente ligado ao enfraquecimento da política ambiental brasileira, desde a flexibilização do licenciamento ambiental até o descaso com órgãos de controle em Minas Gerais.

O Movimento pela Soberania Popular na Mineração exige uma investigação rigorosa e rápida, com punição para os responsáveis.

A Agência Nacional de Mineração afirmou que ainda não foi oficialmente informada sobre as medidas adotadas na operação da PF e reiterou seu compromisso com a legalidade, transparência e colaboração com as autoridades.

Operação Rejeito

A operação denominada Operação Rejeito, fruto de uma ação conjunta entre a Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU), Ministério Público Federal (MPF) e Receita Federal, teve início a partir de uma investigação iniciada no ano de 2020.

De acordo com a PF, o foco da operação é um grupo empresarial com mais de 40 empresas, atuando na exploração de minério de ferro em áreas sensíveis do estado, com destaque para a holding Minerar S/A.

Ele destaca a urgência de uma legislação mais rigorosa, com maior controle social e popular sobre a atividade mineradora, e a reversão do enfraquecimento das instituições fiscais do Estado para evitar a ocorrência de novos casos como esse.

Atuação criminosa

A organização operava como uma teia dedicada a obter ilegalmente autorizações e licenças para explorar minério de ferro de forma irregular, através de corrupção, fraude, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

As licenças criminosas eram obtidas em áreas sensíveis, como locais tombados e áreas de proteção ambiental.

O grupo corrupto subornou funcionários de órgãos como a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas (FEAM).

A Justiça determinou o afastamento de servidores da FEAM, do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

Marcelo Barbosa, representando o MAM, destaca a importância de discutir a estrutura dos conselhos de política ambiental, mencionando a prisão de um conselheiro do COPAM.

Ele denuncia a influência das mineradoras nos conselhos, que tendem a favorecer os empreendimentos em detrimento dos direitos territoriais e dos impactos socioambientais.

Bloqueio de Bens

A decisão judicial determinou o bloqueio de uma quantia exorbitante de R$ 1,5 bilhão, enquanto estima-se que a organização criminosa possuía projetos no valor de mais de R$ 18 bilhões.

Além disso, a Polícia Federal revelou que pelo menos R$ 3 milhões foram pagos a funcionários públicos, alguns dos quais suspeitos de receber propinas para favorecer os interesses da organização.

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