
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo (9), durante discurso na 4ª Cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a União Europeia (UE), os deslocamentos norte-americanos em águas da América Latina.
”A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justiçar intervenções ilegais”, afirmou o presidente, sem mencionar os Estados Unidos diretamente.
“Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, afirmou.
Lula acrescentou que “a democracia também sucumbe quando o crime corrompe as instituições, esvazia os espaços públicos, destrói famílias e desestrutura negócios”.
Neste contexto, é importante lembrar que esta não é a primeira vez em que o governo brasileiro critica as ações militares dos EUA.
Em setembro, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira afirmou que a América Latina não pode “admitir intervenções externas, sob nenhum pretexto”, argumentando que “permitir medidas de intimidação, sem nenhuma reação coletiva, seria um convite permanente a novas ingerências”.
’Quando se trata do uso da força, não concordamos com a erosão da distinção entre combatentes e civis”, declarou Vieira na ocasião.
O ministro alertou na ocasião que a conduta ”poderia levar a que qualquer alvo seja julgado legítimo em ações militares”, em flagrante violação da Carta da ONU. RT
Foto: Ricardo Stuckert