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Novas perspectivas para o MST com a desapropriação da fazenda Quilombo Campo Grande

Território é lar de mais de 480 famílias

Novas perspectivas para o MST com a desapropriação da fazenda Quilombo Campo Grande
O território passa agora, por intermédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fase de parcelamento da área e seleção das famílias já cadastradas para cada lote. | Crédito: Crédito: Reprodução/MST
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Após quase 30 anos de batalha incansável, a justiça oficializou nesta quarta-feira (26) o decreto de desapropriação do Quilombo Campo Grande, antiga fazenda Ariadnópolis. Este marco encerra um dos mais antigos e emblemáticos conflitos de terras em Minas Gerais, concedendo finalmente o reconhecimento do direito à terra para as 480 famílias que habitam o território localizado em Campo do Meio, no sul do estado.

A dirigente nacional do MST em Minas Gerais, Tuira Tule, ressalta a importância histórica deste momento: “O dia 26 de novembro é um marco na luta pela terra, não apenas para nós, mas para a história do povo mineiro e brasileiro. É o início oficial do nosso assentamento Quilombo Campo Grande. Esta conquista nos permite avançar em direção ao futuro.”

Silvio Netto, integrante da coordenação nacional do movimento, também expressa sua emoção durante a cerimônia: “Hoje é um dia de grande significado, talvez até mais emocionante do que quando o presidente Lula esteve presente. Este é o nosso verdadeiro nascimento, a confirmação de uma conquista que tanto esperamos.”

Com a decisão judicial, o assentamento é oficialmente estabelecido. O Incra agora inicia o processo de parcelamento da área e seleção das famílias cadastradas para cada lote, marcando um novo capítulo na história do Quilombo Campo Grande.

Muita emoção marcou o dia de hoje. Começamos com a vistoria nos territórios para homologar o acordo com a massa falida, confirmando o decreto assinado pelo presidente Lula, neste mesmo local onde recebemos a comissão jurídica. A homologação representa a resolução de todos os conflitos da antiga usina, um momento crucial para nós. Helen Santos, moradora do Quilombo Campo Grande e dirigente do MST no sul de Minas, compartilha sua alegria: “Não haverá mais despejos contra essas famílias. É um momento de muita alegria para nós”.

Só o começo

Na próxima etapa, as famílias que construíram escolas, lavouras, cooperativas e um modo de vida baseado na agroecologia camponesa receberão os Contratos de Concessão de Uso (CCU) no início do próximo ano. Esse documento permitirá acesso a créditos e a diversas políticas públicas de abastecimento, como o PAA e o PNAE, para a comercialização das mais de 160 variedades alimentares agroecológicas e orgânicas produzidas no Quilombo.

Mais de 600 famílias conquistaram o acesso à terra, sendo a maioria residente na área há anos. Durante o ato, foi prometida a consolidação do acesso à energia elétrica para as mais de 140 famílias que ainda não possuem esse direito. O MST reafirmou seu compromisso ambiental através da campanha nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, coletando e preparando sementes de espécies florestais nativas para dispersão em áreas de preservação atingidas por incêndios.

Conquista histórica

A criação do assentamento é uma conquista histórica para o movimento Sem Terra, reforçando a luta pela agroecologia e troca de conhecimentos populares. A escola popular de agroecologia Eduardo Galeano, destruída durante o despejo promovido pelo governo em 2020, foi o cenário simbólico do ato de homologação. O vereador Bruno Pedralva, parceiro do MST, destacou a importância da conquista: “Terra produtiva que faz café orgânico e produz alimentos que vão ajudar o povo brasileiro a viver com saúde. Viva o movimento sem terra”.

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