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BHP Billiton pretende minerar no Parque Itacolomi em Ouro Preto

BHP Billiton pretende minerar no Parque Itacolomi em Ouro Preto
O Pico do Itacolomi visto do Largo do Coimbra, próximo à Igreja de São Francisco de Assis, no centro de Ouro Preto. -Foto: Pedro Dias Lemos
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Ouro Preto está prestes a presenciar um novo capítulo na exploração mineral com o avanço do Projeto Rancharia – Fase 2, da mineradora BHP Billiton Brasil Ltda.

A empresa, conhecida por sua participação no desastroso rompimento da barragem de Fundão, tem como objetivo realizar sondagens geológicas para avaliar as reservas de minério de ferro em uma área de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, próxima a importantes ruínas históricas e dentro da Zona de Amortecimento do Parque Estadual do Itacolomi.

Apesar do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apontar a viabilidade do projeto, documentos técnicos revelam preocupações críticas que têm despertado a atenção de especialistas e da comunidade local.

Um dos principais pontos sensíveis do projeto é a necessidade de suprimir a vegetação do Campo Rupestre Ferruginoso, um ecossistema raro e protegido pela legislação da Mata Atlântica.

O parecer técnico emitido pelo OBSERVA, grupo de pesquisa e extensão ligado à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e composto por especialistas em botânica e ecologia, classificou como “falha grave” o levantamento da flora apresentado pela BHP.

A presença da orquídea Cattleya caulescens, uma espécie oficialmente ameaçada de extinção, foi registrada nos levantamentos.

A empresa propõe o resgate de 100% dos indivíduos encontrados, porém a perda do hábitat natural em uma região de “Importância Biológica Especial” ainda representa um risco significativo.

De acordo com os pesquisadores, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) falhou ao não incluir seis espécies de plantas ameaçadas de extinção que possuem registros confirmados na área.

Isso representa um aumento significativo de 300% na lista de espécies em risco em comparação com o que foi declarado pela empresa.

O grupo de pesquisa alerta para a importância do ecossistema afetado, o campo rupestre ferruginoso (cangas), que é extremamente raro, formado ao longo de bilhões de anos e essencial para a recarga de aquíferos.

O OBSERVA argumenta que as medidas de recuperação propostas pela BHP são insuficientes e não eficazes para restaurar a complexidade biológica desse ambiente único. Além disso, destacam que a supressão dessa vegetação seria uma violação da Lei da Mata Atlântica, que visa proteger áreas que abrigam espécies ameaçadas.

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