{"id":121899,"date":"2025-12-15T11:23:50","date_gmt":"2025-12-15T14:23:50","guid":{"rendered":"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/?p=121899"},"modified":"2025-12-15T11:23:52","modified_gmt":"2025-12-15T14:23:52","slug":"adelia-prado-aos-90-a-casa-como-metafisica-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/?p=121899","title":{"rendered":"Ad\u00e9lia Prado aos 90: a casa como metaf\u00edsica de Minas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano em que Ad\u00e9lia Prado comemora 90 anos, a paisagem da literatura mineira se reorganiza discretamente. \u00c9 como se o mapa girasse um pouco: Itabira e Cordisburgo continuam em seus lugares fundadores, mas Divin\u00f3polis ganha relevo, foco, luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Drummond e Guimar\u00e3es Rosa haviam desenhado, com for\u00e7a monumental, dois grandes campos da mineiridade \u2013 a prov\u00edncia que se descobre moderna e o sert\u00e3o que se descobre metaf\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Faltava, talvez, o terceiro v\u00e9rtice: a casa comum, o quintal, a cidade m\u00e9dia, a mulher que cozinha, trabalha, envelhece, reza, deseja e pensa. Esse lugar \u00e9 Ad\u00e9lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Carlos Drummond de Andrade a apresenta no jornal, nos anos 1970, ele a chama de \u201cl\u00edrica, b\u00edblica, existencial\u201d e compara a sua poesia ao \u201cbom tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Bastaria isso para situ\u00e1-la numa linhagem de alta literatura. Mas hoje, olhando em retrospecto, podemos ler essa frase como mais do que um elogio generoso: trata-se de uma intui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica muito precisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O adjetivo \u201cl\u00edrica\u201d indica a intensidade da voz; \u201cb\u00edblica\u201d aponta para uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o sagrado; \u201cexistencial\u201d revela a gravidade filos\u00f3fica da experi\u00eancia; o \u201cbom tempo\u201d sugere algo que excede o livro: um clima espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Drummond parte da montanha \u2013 da Itabira do min\u00e9rio e da culpa hist\u00f3rica \u2013 e descobre, at\u00f4nito, a modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Rosa parte do sert\u00e3o \u2013 das veredas e chapad\u00f5es \u2013 e descobre, vertiginoso, o infinito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Ad\u00e9lia parte da casa em cidade m\u00e9dia e descobre, com espanto sereno, que tudo \u00e9 absoluto: a panela no fogo, o len\u00e7ol estendido, o corpo desejante, o cora\u00e7\u00e3o depressivo, a ora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o encontra resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minas, nela, n\u00e3o \u00e9 apenas cen\u00e1rio, mas modo de perceber o mundo: uma metaf\u00edsica praticada em voz baixa, com pano de prato no ombro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A geografia ajuda a entender essa posi\u00e7\u00e3o. Divin\u00f3polis n\u00e3o \u00e9 vila hist\u00f3rica nem sert\u00e3o profundo: \u00e9 uma cidade de transi\u00e7\u00e3o, entre o dorso serrano e o cerrado mais amplo, cortada por trilhos, banhada pelo Itapecerica, atravessada por ind\u00fastria, com\u00e9rcio, bairro, periferia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O olhar de Ad\u00e9lia surge da\u00ed: de um lugar em que o barroco ainda habita a alma \u2013 no excesso de significa\u00e7\u00e3o, na culpa, no peso do sagrado \u2013 mas j\u00e1 n\u00e3o comanda a paisagem arquitet\u00f4nica; o que se v\u00ea pela janela s\u00e3o casas simples, f\u00e1bricas, igrejas comuns, ruas de terra que viraram asfalto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Rosa recria o sert\u00e3o inventando uma l\u00edngua nova, e Drummond pensa a modernidade remodelando a frase e a ironia, Ad\u00e9lia faz uma opera\u00e7\u00e3o inversa: ela descerra o sublime, n\u00e3o o exibe. Em vez de elevar a linguagem a um grau de virtuosismo experimental, torna-a cada vez mais transparente, como se quisesse retirar todo excesso para que o n\u00facleo da experi\u00eancia apare\u00e7a nu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading alignwide has-text-align-center\">Grandes temas, gesto m\u00ednimo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os grandes temas \u2013 Deus, o sentido da vida, o mal, o amor, a morte \u2013 surgem no gesto m\u00ednimo: uma comida no fog\u00e3o, uma vassoura na m\u00e3o, uma roupa estendida, o corpo cansado que, ainda assim, ama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto, a compara\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas se torna especialmente reveladora. Em Drummond, a casa \u00e9 muitas vezes lugar da mem\u00f3ria e da perda \u2013 Itabira como \u201cfotografia na parede\u201d; em Rosa, a casa \u00e9 intervalo entre travessias, parada prec\u00e1ria entre veredas e combates.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Ad\u00e9lia, a casa \u00e9 o centro absoluto: \u00e9 ali que o mundo acontece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando escreve \u201cSou mulher: destino dom\u00e9stico me arrasa. \/ Qualquer arruma\u00e7\u00e3o me enternece\u201d, ela n\u00e3o faz apenas um retrato realista; oferece um diagn\u00f3stico filos\u00f3fico: o dom\u00e9stico \u00e9, a um s\u00f3 tempo, opress\u00e3o e ternura, c\u00e1rcere e consolo, lugar onde a vida \u00e9 sugada e lugar onde a vida se manifesta com uma intensidade sem testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse olhar nasce, claro, de uma experi\u00eancia feminina concreta, mas n\u00e3o se reduz a ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Ao declarar, em outro poema, que \u201ca alma n\u00e3o \u00e9 feminina, mas eu sou\u201d, Ad\u00e9lia estrutura a tens\u00e3o que atravessa toda a sua obra: de um lado, a convic\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 uma humanidade comum, uma alma sem g\u00eanero; de outro, a consci\u00eancia de que essa humanidade se vive sempre a partir de um corpo situado, de uma hist\u00f3ria, de uma posi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Em Minas, isso significa viver a alma sob o peso de uma tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, patriarcal, familiar, que atravessa gera\u00e7\u00f5es \u2013 e que, ao mesmo tempo, oferece estrutura e fardo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cr\u00edtica tem chamado essa encruzilhada de teopo\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de tratar a f\u00e9 como tema ou ilustra\u00e7\u00e3o, Ad\u00e9lia faz da rela\u00e7\u00e3o com Deus um processo em curso, um conflito real: o Deus que consola \u00e9 o mesmo que parece ausente; a ora\u00e7\u00e3o que alivia \u00e9 a mesma que n\u00e3o impede a tristeza; a liturgia da missa convive com a liturgia silenciosa de lavar a casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"472\" src=\"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi-.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-121900\" srcset=\"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi-.webp 900w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi--300x157.webp 300w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi--768x403.webp 768w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi--696x365.webp 696w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Carlos-Drummond-de-Andrade-redi--801x420.webp 801w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Drummond suspeita de Deus com ironia e Rosa o envolve num v\u00e9u de mist\u00e9rio metaf\u00edsico, Ad\u00e9lia conversa com Ele na linguagem de Divin\u00f3polis, com coragem desarmada. Reza, discute, agradece, reclama, canta, cala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, sua inser\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio mundial da poesia n\u00e3o pode ser lida apenas como \u201cpoesia religiosa\u201d ou \u201cvoz feminina mineira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading alignwide has-text-align-center\">Modernismo tardio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Ela participa de um movimento mais amplo \u2013 aquilo que, em estudos de literatura contempor\u00e2nea, se chama de modernismo tardio ou poesia p\u00f3s-secular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o autores que v\u00eam depois das vanguardas, depois da descren\u00e7a sistem\u00e1tica, e que, sem voltar atr\u00e1s, reabrem a possibilidade de uma experi\u00eancia do sagrado dentro do mundo comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Rosa, isso se d\u00e1 pela fabula\u00e7\u00e3o extrema da linguagem; em Ad\u00e9lia, pelo despojamento. A pergunta \u00e9 a mesma: o que ainda pode significar \u201cDeus em pleno s\u00e9culo XX e XXI? A resposta, por\u00e9m, \u00e9 dada em registros muito diversos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curioso \u00e9 que, nessa tr\u00edade, Ad\u00e9lia \u00e9 a \u00fanica que se volta radicalmente para o corpo feminino como lugar dessa pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Enquanto Drummond fala de um sujeito universal, mas implicitamente masculino, e Rosa se encarna na voz de Riobaldo e de tantos jagun\u00e7os, Ad\u00e9lia assume o lugar da mulher que ama, deseja, sofre, envelhece, cuida de filhos, sofre com o casamento, com a finitude, com a solid\u00e3o \u2013 e fala disso com uma frontalidade que desloca o ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando escreve que \u201co sexo \u00e9 uma forma de ora\u00e7\u00e3o\u201d ou que \u201cquando fa\u00e7o amor, rezo\u201d, ela condensa, em meia d\u00fazia de palavras, uma revolu\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica que d\u00e9cadas de reflex\u00e3o acad\u00eamica lutaram para formular: a unifica\u00e7\u00e3o de Eros e \u00e1gape, de corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num n\u00edvel mais amplo, isso constitui tamb\u00e9m uma filosofia da cultura mineira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading alignwide has-text-align-center\">Altar muda de lugar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Aquele mesmo catolicismo barroco que produziu igrejas e talhas, santos e prociss\u00f5es, encontra, na Divin\u00f3polis de Ad\u00e9lia, outra forma de express\u00e3o: o altar se desloca para a mesa da cozinha; a confiss\u00e3o, para o di\u00e1logo interior; o serm\u00e3o, para o poema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que Rosa fez com o sert\u00e3o \u2013 revel\u00e1-lo como lugar de teologia viva, cheia de ambiguidade \u2013, Ad\u00e9lia faz com a casa e com a cidade m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A min\u00facia da vida dom\u00e9stica, que tantas vezes foi desprezada como \u201ccoisa de mulher\u201d, torna-se territ\u00f3rio de quest\u00f5es \u00faltimas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading alignwide has-text-align-center\">S\u00edntese tardia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 interessante notar como O jardim das oliveiras, seu livro mais recente de poemas in\u00e9ditos, publicado por ocasi\u00e3o de seus 90 anos, funciona como uma esp\u00e9cie de s\u00edntese tardia de tudo isso. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo nos remete de imediato ao cen\u00e1rio b\u00edblico da vig\u00edlia, do suor de sangue, da solid\u00e3o de quem sabe o que vem \u2013 mas tamb\u00e9m ao olival concreto, \u00e1rvore que d\u00e1 sombra, fruto, \u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos poemas, quase sempre curtos e de linguagem afiada, a morte est\u00e1 pr\u00f3xima, mas n\u00e3o como espet\u00e1culo; \u00e9 uma vizinha que se aceita, se teme, se negocia. A f\u00e9 permanece, mas n\u00e3o resolve; \u00e9 horizonte e tens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A casa est\u00e1 l\u00e1, como sempre, mas agora a consci\u00eancia da finitude lhe empresta um outro brilho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se, em Drummond, o envelhecer se associa muitas vezes a uma ironia amarga, e em Rosa mal temos tempo de ver a velhice \u2013 seu universo \u00e9 o da travessia, n\u00e3o da chegada \u2013, em Ad\u00e9lia a velhice se torna um novo cap\u00edtulo da teopo\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela faz, com a velhice, o que fez com a vida dom\u00e9stica: recusa tanto o sentimentalismo quanto a nega\u00e7\u00e3o. Assume o cansa\u00e7o, as doen\u00e7as, as aus\u00eancias, a mem\u00f3ria que se acumula, e pergunta, mais uma vez: o que \u00e9 que vale? O que \u00e9 que fica? E responde com aquele verso j\u00e1 cl\u00e1ssico de outro livro: \u201co que a mem\u00f3ria ama fica eterno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao lado de Drummond e Rosa, Ad\u00e9lia completa, portanto, uma esp\u00e9cie de tri\u00e2ngulo ontol\u00f3gico da mineiridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro nos ensinou que o mundo moderno \u00e9 atravessado por uma pedra que n\u00e3o se desvia; o segundo, que o sert\u00e3o \u00e9 dentro e que o destino humano \u00e9 uma travessia cheia de enigmas. A terceira nos ensina que a casa, o corpo, a cidade de transi\u00e7\u00e3o, o quintal, o arroz fervendo, a tristeza sem causa, a alegria sem motivo \u2013 tudo isso \u00e9, tamb\u00e9m, mat\u00e9ria de pensamento maior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"970\" height=\"360\" src=\"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/guimaraes-rosa-o-cruzeiro-reproducao-900-PNG.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-121901\" srcset=\"https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/guimaraes-rosa-o-cruzeiro-reproducao-900-PNG.webp 970w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/guimaraes-rosa-o-cruzeiro-reproducao-900-PNG-300x111.webp 300w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/guimaraes-rosa-o-cruzeiro-reproducao-900-PNG-768x285.webp 768w, https:\/\/mundodosinconfidentes.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/guimaraes-rosa-o-cruzeiro-reproducao-900-PNG-696x258.webp 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 970px) 100vw, 970px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pela lentes do fot\u00f3grafo de &#8216;O Cruzeiro&#8217;: foram 10 dias andando com a mula Balalaica, vendo, anotando e perguntando tudo. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Itabira d\u00e1 a Minas a experi\u00eancia da perda, e Cordisburgo lhe d\u00e1 a experi\u00eancia da travessia, Divin\u00f3polis, em Ad\u00e9lia, lhe d\u00e1 a experi\u00eancia da perman\u00eancia fr\u00e1gil: manter a chama acesa no fog\u00e3o enquanto a noite cai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim, talvez seja poss\u00edvel imaginar os tr\u00eas sentados \u00e0 mesma mesa \u2013 a mesa mineira, de madeira, com caf\u00e9, p\u00e3o, queijo, um sil\u00eancio que n\u00e3o constrange.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Drummond falaria baixo sobre a inf\u00e2ncia e a pol\u00edtica; Rosa, com sua dic\u00e7\u00e3o inconfund\u00edvel, contaria casos que jamais s\u00e3o apenas casos; Ad\u00e9lia ouviria, riria, choraria \u201cpor coisa nenhuma\u201d e, depois, transformaria esse encontro em poema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;N\u00e3o haveria hierarquia: apenas tr\u00eas modos de dizer o mesmo enigma \u2013 o que \u00e9 ser humano aqui, neste peda\u00e7o de montanha, de sert\u00e3o e de casa chamado Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano em que ela faz 90 anos, \u00e9 justo \u2013 e necess\u00e1rio \u2013 que esse tri\u00e2ngulo se feche.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o para encerrar nada, mas para que possamos desenhar, a partir dele, novas linhas: de Divin\u00f3polis para o mundo, de Minas para o s\u00e9culo, da casa para o pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra de Ad\u00e9lia, posta ao lado da de Drummond e Rosa, nos lembra que a literatura n\u00e3o \u00e9 apenas espelho da realidade, mas forma de filosofia encarnada: um jeito de pensar com o corpo todo.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Artigo de Le\u00f4nidas de Oliveira, MSc, PhD, professor e arquiteto<\/li>\n\n\n\n<li> Foto: Frame TV Cultura e Evandro Teixeiira<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano em que Ad\u00e9lia Prado comemora 90 anos, a paisagem da literatura mineira se reorganiza discretamente. \u00c9 como se o mapa girasse um pouco: Itabira e Cordisburgo continuam em seus lugares fundadores, mas Divin\u00f3polis ganha relevo, foco, luz. &nbsp;Drummond e Guimar\u00e3es Rosa haviam desenhado, com for\u00e7a monumental, dois grandes campos da mineiridade \u2013 a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":121902,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,6,10,22,25,38],"tags":[13565,1162,5296,4518,2133],"class_list":["post-121899","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-brasil","category-cidades","category-cultura","category-cidades-literatura","category-minas","category-sociedade","tag-adelia-prado","tag-drummond","tag-guimaraes-rosa","tag-literatura","tag-minas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ad\u00e9lia Prado aos 90: a casa como metaf\u00edsica de Minas<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Ad\u00e9lia Prado aos 90: a casa como metaf\u00edsica de Minas. 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