Intervenção no Morro Maranhão busca evitar deslizamentos próximos ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, onde estão esculturas de Aleijadinho
A Prefeitura de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, anunciou a realização de uma obra de contenção em uma encosta do Morro Maranhão, área que apresenta risco de deslizamento e que pode impactar diretamente o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, patrimônio cultural da humanidade reconhecido pela Unesco.
No local estão as famosas esculturas dos profetas esculpidas por Aleijadinho, um dos principais símbolos do barroco mineiro.
O projeto foi apresentado a moradores das ruas Major Sabino e Feliciano Mendes, no bairro Basílica, durante reunião realizada na segunda-feira (9). O encontro reuniu cerca de 70 pessoas entre representantes da comunidade, da prefeitura e do Legislativo municipal.
Segundo o prefeito Anderson Cabido, estudos geológicos e geotécnicos apontam movimentação de solo em todo o maciço do Morro Maranhão, onde estão localizados o santuário, equipamentos culturais, residências e estabelecimentos comerciais.
De acordo com ele, há risco de deslizamento na vertente voltada para o bairro Lamartine, entre as ruas Major Sabino e Feliciano Mendes.
Famílias vivem na área de risco
A prefeitura informou que cerca de 25 famílias, somando aproximadamente 60 pessoas, vivem na área considerada mais sensível da encosta.
O alerta foi intensificado após um episódio ocorrido em 25 de janeiro, quando parte do terreno cedeu. Na mesma data, também houve registro de extravasamento de estruturas na área da mineradora Vale.
Ainda segundo o município, o terreno no entorno da basílica já apresenta alterações estruturais e foi identificada até mesmo uma cavidade sob a igreja.
Obras serão realizadas em etapas
A obra de contenção será executada em etapas. Na primeira fase, a intervenção ocorrerá na encosta entre as ruas Feliciano Mendes e Major Sabino.
O projeto prevê a construção de estruturas de engenharia para estabilização do terreno. Também estão previstas desapropriações e demolições de imóveis no topo do morro, com o objetivo de reduzir o peso sobre a encosta e diminuir o risco de deslizamentos.
Problema já era apontado pelo Ministério Público
O risco na região não é recente. Um documento do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), elaborado em 2009, já apontava o “mau estado de conservação da Ladeira Histórica do Bom Jesus”.
Em 2021, o órgão voltou a cobrar informações sobre o estado da área e questionou se as irregularidades apontadas anteriormente haviam sido corrigidas.
Investimento pode chegar a R$ 50 milhões
A primeira etapa da obra está orçada em R$ 13 milhões, recursos obtidos por meio do Programa de Gestão de Riscos e Desastres do Governo Federal, conhecido como PAC Encostas.
A prefeitura estima que o custo total das intervenções para estabilizar toda a região possa chegar a cerca de R$ 50 milhões.
Os estudos técnicos e o projeto executivo foram desenvolvidos por uma empresa contratada pelo município, que realiza pesquisas no local desde 2022. A previsão é que as obras comecem em cerca de três meses, após a conclusão do processo licitatório.
Após as intervenções, a proposta também prevê transformar a área em um parque verde, integrando o espaço à comunidade e contribuindo para reduzir impactos das chuvas.
Apoio às famílias
Para acompanhar o processo e prestar assistência aos moradores afetados, a prefeitura criou uma Comissão de Trabalho Social, formada por representantes do poder público e da comunidade.
Entre as medidas previstas estão auxílio-moradia, apoio para mudança e ajuda na busca por imóveis para aluguel, benefícios que deverão ser garantidos até a conclusão das desapropriações ou das obras.
Com informações do jornal O Tempo
Reportagem: Maria Cecília Almeida































