Prefeito de Mariana fala em “marco histórico” após decisão inglesa contra a BHP

Prefeito de Mariana fala em “marco histórico” após decisão inglesa contra a BHP
Encontro com mais de 800 atingidos marca avanço da ação internacional sobre desastre de 2015
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A decisão da Justiça do Reino Unido que reconheceu a responsabilidade da mineradora BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, foi tema de um encontro realizado nesta quarta-feira (26) em Mariana. Mais de 800 pessoas atingidas participaram da reunião na Arena Mariana, ao lado de representantes do escritório internacional Pogust Goodhead, responsável pela ação movida na Inglaterra.

O prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), classificou o momento como um avanço decisivo na busca por reparação. “Diante de mais de 800 atingidos na Arena Mariana, reafirmamos o propósito que nos trouxe até aqui e até onde ainda vamos chegar. Este é mais um passo”, declarou.

Processo entra em nova fase

Com o reconhecimento da culpa da BHP pela corte britânica, o processo segue agora para a etapa de quantificação dos danos, prevista para começar em 2026. Segundo os advogados do caso, mesmo com a intenção de recurso anunciada pela empresa, a tramitação não é automaticamente suspensa no sistema jurídico inglês.

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Durante o encontro, também foram apresentados os próximos marcos do processo, como audiências de organização previstas para o fim de 2025 e o julgamento da segunda fase marcado para outubro do próximo ano.

Juliano Duarte destacou que o avanço da ação internacional representa esperança de uma reparação que, segundo ele, não foi garantida no Brasil. “Queremos uma reparação justa para Mariana e para todas as cidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão”, afirmou.

Críticas ao acordo brasileiro

Mariana está entre os municípios que não aderiram ao acordo de repactuação firmado no Brasil em 2024, que previa cerca de R$ 170 bilhões em recursos. Para o prefeito, os valores oferecidos ao município não refletiam a gravidade dos danos sofridos.

“A vitória na ação inglesa confirma, mais uma vez, que estamos no caminho certo. A BHP Billiton foi considerada culpada pelo rompimento que devastou famílias inteiras e destruiu modos de vida, e essa decisão fortalece a luta de todos os atingidos”, disse.

A ação movida na Inglaterra reúne mais de 600 mil pessoas, além de municípios, empresas e comunidades tradicionais dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Tragédia deixou 19 mortos

O rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em novembro de 2015, deixou 19 mortos e lançou mais de 44 milhões de metros cúbicos de rejeitos na bacia do Rio Doce, causando impactos ambientais e sociais em dezenas de cidades até o litoral do Espírito Santo.

Na decisão publicada em 14 de novembro deste ano, a Justiça britânica concluiu que a BHP falhou em prevenir o desastre, mesmo tendo conhecimento prévio de problemas estruturais na barragem.

Compromisso com os atingidos

Ao final do encontro, Juliano Duarte reforçou seu compromisso com as comunidades afetadas e com outras cidades da bacia do Rio Doce.

A jornada continua, e reafirmo meu compromisso com cada cidadão marianense e com cada prefeito da calha do Rio Doce, para que possamos prosseguir com nossas vidas com justiça, integridade e reconstrução dos futuros que foram interrompidos por esse crime ambiental”, declarou.

O prefeito também agradeceu publicamente aos advogados do Pogust Goodhead, às lideranças comunitárias e aos demais gestores públicos que acompanham o processo internacional.

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