
No dia 6 de junho, o artista David Almeida irá inaugurar sua nova exposição individual, intitulada “Devagar com o andor que o santo é de barro”, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
A mostra surge a partir de uma profunda investigação realizada pelo artista sobre a formação da pintura no Brasil, tendo como ponto de partida o barroco mineiro e o catolicismo popular, refletindo sobre a maneira como as imagens são apropriadas, transformadas e reinventadas no país.
Fruto de recentes viagens por Minas Gerais, a exposição apresenta pinturas inéditas em grande escala, objetos escultóricos criados pelo próprio artista e ex-votos de um acervo local, estabelecendo conexões entre diferentes temporalidades e formas de construção da imagem.
Sem recorrer à simples ilustração ou reconstituição histórica, a mostra busca aproximar a pintura, a crença e o imaginário popular como elementos de uma mesma experiência cultural.
Os ex-votos, que são esculturas e pinturas produzidas como forma de agradecimento por promessas cumpridas, surgem na exposição como uma chave para compreender a origem popular da imagem no Brasil.
Para David Almeida, essas produções anônimas não são apenas documentos históricos, mas sim uma forma de mediação entre a crença, a experiência coletiva e aquilo que transcende a explicação racional.
Almeida destaca: “A pintura no Brasil surge de um desejo importado, porém é reinventada por outras crenças, geografias e formas de percepção. O que me intriga é justamente esse desvio: quando uma imagem chega aqui e deixa de pertencer ao seu local de origem para ganhar uma nova vida.
Os ex-votos me fascinam porque representam uma origem popular da imagem no Brasil – pinturas feitas não para afirmar autoria, mas como uma forma de expressar o sensível, uma mediação entre a crença, a experiência e o inexplicável.”
Além das pinturas e dos ex-votos, a exposição também apresenta uma nova série de objetos escultóricos denominados oratórios pelo artista. Construídos a partir de fragmentos encontrados em antiquários, caçambas e em suas viagens, esses trabalhos preservam vestígios de suas funções originais ao mesmo tempo em que deslocam seus significados, transitando entre memória, invenção e espiritualidade popular.
A investigação realizada na exposição dá continuidade às questões abordadas na mostra anterior de Almeida, “Vigília”, realizada em 2024 pela galeria Almeida & Dale, que representa o artista. Em “Devagar com o andor que o santo é de barro”, o artista explora a fragilidade das crenças e narrativas que sustentam nossa concepção de origem, destacando a instabilidade do que herdamos, reinventamos e escolhemos acreditar.




























