O Museu de Mariana, em parceria com a Vellozia Filmes e a NITRO Histórias Visuais, lança o documentário Tempo Vário: A história da Folhinha de Mariana.
O filme resgata a trajetória do tradicional almanaque que, há mais de 150 anos, orienta o cotidiano de famílias mineiras com informações sobre agricultura, astronomia, medicina popular e religiosidade.
A primeira exibição será realizada na sexta-feira, 26 de setembro, às 19h, no Museu de Mariana.
A Folhinha que atravessa gerações
Há histórias que cabem em páginas, mas existem outras que se expandem como os ventos, atravessam gerações e se tornam parte da vida de um povo. A Folhinha de Mariana é uma dessas histórias.
Para celebrar sua memória viva, nasce o documentário Tempo Vário, um convite à escuta do tempo – das plantações, da fé, da cura popular, dos céus estrelados e das mãos que abrem o almanaque em busca de orientação.
Além de seu caráter memorial, a produção também cumpriu função educativa. O documentário nasceu a partir da Oficina de Produção Audiovisual realizada com os mediadores do Museu de Mariana, sob orientação dos profissionais da NITRO Histórias Visuais e da Vellozia Filmes.
Os registros foram coletados em uma campanha popular que reuniu pessoas que carregam histórias profundas com a Folhinha.
As filmagens ocorreram em Mariana, Belo Horizonte e em Congonhas, durante o Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos, quando acontece anualmente a maior distribuição do almanaque.
O Projeto
O projeto contou ainda com a colaboração do Museu de Congonhas, da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e da Arquidiocese de Mariana, instituições que apoiaram a campanha de reconhecimento dos entrevistados.
“A Folhinha de Mariana é muito mais do que um almanaque: ela é parte da vida cotidiana, um elo entre saberes populares, fé e ciência. Quando começamos a pesquisa para o documentário, percebemos a pouca produção de conhecimento sobre esse patrimônio imaterial que atravessa gerações.
Registrar e valorizar essa história é fundamental para a memória da comunidade e para o fortalecimento da nossa identidade cultural. O filme Tempo Vário nasce, assim, como um gesto de preservação e partilha, conectando passado e presente para que esse legado continue vivo no futuro”, destaca a historiadora Nathália Rezende, que coordenou as pesquisas sobre o almanaque junto ao historiador Marcos Lopes, ambos do Museu de Mariana.
A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) também foi parceira desta produção de conhecimento, envolvendo acadêmicos do curso de Jornalismo.

Para Gustavo Nolasco, diretor do documentário e integrante da NITRO Histórias Visuais, o projeto carrega um significado pessoal e coletivo: “Como marianense, fico muito feliz em dar vida a uma história visual tão importante para a nossa cidade. Quando esse desafio foi partilhado comigo, vi imediatamente uma oportunidade de colocar em prática uma missão que já venho construindo há anos com Mariana, por meio de vários projetos que buscam valorizar sua memória, sua gente e sua cultura. O documentário Tempo Vário é, para mim, mais uma forma de retribuir à cidade tudo o que ela representa.”
“Tempo Vário” é o registro daquilo que nunca envelhece: a sabedoria que circula, a memória que floresce e o tempo que se desdobra em várias formas de existir.
O lançamento integra a programação da Primavera de Museus e marca as celebrações de 2 anos da instituição.
Foto: Mundo dos Inconfidentes e Arquidiocese de Mariana






























