
O Coletivo Djalo promoverá no próximo sábado (14) a “Festa Djalo Refloresta”, uma celebração aberta ao público que marca o reconhecimento oficial do grupo como Ponto de Cultura após quase dez anos de atuação contínua em arte, educação e preservação de memórias comunitárias. O evento, chamado de “Floresta Líquida”, ocupará a sede do Coletivo Vila Pobre, no bairro Taquaral, em Ouro Preto, e reunirá artistas, educadores e grupos culturais de Ouro Preto e Mariana em um dia inteiro de atividades.
Fundado com base em princípios antirracistas, antimachistas, pela igualdade de gênero, contra a LGBTfobia e pela valorização dos territórios, o Coletivo Djalo consolida, com esse reconhecimento, um ciclo de fortalecimento institucional e expansão de suas ações. Para seus integrantes, celebrar é também reafirmar raízes históricas e reparar silenciamentos provocados pelo colonialismo. A ideia de “reflorestar”, explicam, vai além do plantio físico: envolve revitalizar práticas, cantos, corpos e afetos que sustentam a identidade afro-brasileira.
Programação começa pela manhã
A programação tem início às 9h30 com uma roda de conversa conduzida pela Associação Mães da Resistência, que surgiu em Mariana em 2023 e hoje também atua em Ouro Preto. O grupo reúne mães, familiares e pessoas LGBTQIAPN+ e desenvolve ações de acolhimento e defesa de direitos, além de participar da formulação de políticas públicas voltadas ao combate à discriminação. O tema do encontro será “Vivências LGBT’s dentro dos núcleos familiares: redes de apoio e acolhimento”.
Ao meio-dia, será servido o tradicional ajeum, prática alimentar comunitária de matriz africana.
À tarde, às 14h30, o músico e educador Saliou Seck ministrará uma vivência de percussão do oeste africano. Com mais de 15 anos de experiência e integrante de uma linhagem tradicional de griôs, Seck já formou crianças e adultos de várias nacionalidades e atuou por mais de uma década na renomada Ecole de Sables.
Artes visuais e cena negra contemporânea
A partir das 17h, o público acompanha a performance Am’nak Terra Borum, seguida da abertura da exposição Etiópia, do artista Ojú Golding. A mostra apresenta obras que cruzam espiritualidade, memória e cosmovisões afro-indígenas, construindo paisagens simbólicas que evocam ancestralidade e reconexão com territórios imaginados.
Encerramento com Orkestra Djalo
A celebração termina com o espetáculo Rainha Djalo, às 17h30, apresentado pela Orkestra Djalo Nomad. A formação musical reúne percussionistas, vocalistas e artistas da cena em uma proposta que mistura ritmos do oeste africano, música afromineira, eletrônica, teatro ritual e dança. O repertório combina cantos tradicionais, composições do coletivo e narrativas que atravessam reinos ancestrais africanos.





























