As Suraras do Tapajós, primeiro grupo de carimbó do Brasil formado exclusivamente por mulheres indígenas, se apresentam em Minas Gerais com shows gratuitos que unem música, ancestralidade, ativismo e celebração. A programação chega a Ouro Preto no dia 29 de outubro, no Teatro Municipal da Ópera, e a Santo Antônio do Leite no dia 31, na Praça do Coreto, como extensão do Festival da Primavera.
Além das apresentações musicais, o público poderá participar de oficinas, rodas de diálogo, vivências e uma feira de artesanato indígena. Todas as ações terão intérprete de Libras.
Formado em Alter do Chão, em Santarém, no território do povo Borari, no Pará, o grupo transforma o carimbó — gênero historicamente executado por homens — em instrumento de afirmação do protagonismo feminino e indígena. Em cena, as artistas defendem os rios, a floresta, os territórios tradicionais e os direitos dos povos originários.
A passagem por Minas integra a turnê “Suraras do Tapajós – Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”, o maior projeto de circulação já realizado pelo coletivo. Iniciada em 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, a gira percorre 12 cidades das regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Até dezembro, também estão previstas apresentações em Salvador, Manaus, Natal, Rio Branco e São Luís.
O repertório combina composições autorais, faixas do álbum A Força Que Vem das Águas – Kiribasáwa Yúri Yí-Itá e releituras de nomes fundamentais da música paraense, como Dona Onete. As canções exaltam a força das mulheres, a natureza, as águas e a memória dos povos indígenas. O idioma Nheengatu, ainda falado na região do Baixo Tapajós, também aparece em falas e músicas do espetáculo.
No palco, curimbós, maracas feitas de cuia, banjo e violão acompanham os arranjos vocais, marcados pela alternância entre solista e coro. A dança é outro elemento central: o público é convidado a formar rodas e participar da experiência. As apresentações incluem ainda o banho de cheiro com ervas medicinais, prática amazônica ancestral ligada à proteção, à cura e ao bem-estar.
Descalças, com grafismos corporais de jenipapo, saias artesanais, cocares, biojoias e adornos indígenas, as integrantes apresentam também a riqueza dos saberes tradicionais de seus povos.
“Quando subimos num palco, representamos nosso povo e nossa região: somos um território encontrando outros”, afirma Val Munduruku, artista e ativista socioambiental, presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós. “Nossa arte é nossa luta. E vice-versa.”
A turnê foi aprovada na Seleção Petrobras Cultural, com patrocínio da Petrobras, realização do Ministério da Cultura, recursos da Lei Rouanet e produção da Alter do Som. Informações sobre oficinas e inscrições estão disponíveis no perfil @surarasdotapajos.




















