Uma denúncia encaminhada de forma anônima à reportagem descreve uma série de problemas no canil municipal de Ouro Preto, envolvendo desde condições estruturais precárias até a falta de atendimento a animais em situação de rua. A autora do relato, que se identifica como protetora independente, pediu para permanecer em off por temer dificuldades e represálias após a divulgação das informações.
Segundo a denúncia, baias do canil estariam com acúmulo recorrente de lodo e paletes em más condições, com vãos largos que oferecem risco aos cães. Há registros de espaços que permaneceriam meses sem limpeza adequada, sob a justificativa de que o período chuvoso inviabilizaria a manutenção contínua.
Também foram relatados problemas no manejo dos animais. Cães estariam confinados por longos períodos, sem estímulos ou enriquecimento ambiental, o que teria provocado comportamentos repetitivos associados ao estresse. Um dos casos citados envolve uma cadela descrita como dócil, que passou a apresentar reações agressivas em função da ausência de socialização, manejo inadequado e isolamento prolongado. A denúncia ainda aponta a presença de mais de um animal em baias projetadas para uso individual.
Entre as situações mencionadas está o recolhimento de um cão que possuía tutor, funcionário da administração municipal, que após passar por cirurgia teria decidido não permanecer com o animal. Também há relatos de recolhimento considerado indevido de cães que viviam na região da Vila Galé, onde já estariam adaptados ao ambiente.
Além das condições do canil, a denunciante afirma que o atendimento a animais de rua vem sendo negado. Conforme o relato, há um impasse entre secretarias da Prefeitura de Ouro Preto sobre a responsabilidade pelo serviço. Atualmente, a área da Saúde estaria limitada a ações de zoonoses e castração, enquanto o Meio Ambiente, que estaria assumindo parte das demandas, não disporia de orçamento ou estrutura para esse tipo de atendimento.
A denúncia também questiona a alegação de que recursos municipais não poderiam ser utilizados para políticas de bem-estar animal, ao mesmo tempo em que verbas públicas seriam direcionadas à manutenção do Centro de Acolhimento Transitório de Animais (CATA).
Até o fechamento desta edição, não houve manifestação oficial da administração municipal sobre as denúncias relacionadas às condições do canil e à política de atendimento a animais em situação de rua no município.






























