Fundação ArcelorMittal lança nova frente de atuação com foco em economia circular

Pessoas no centro

Pesquisa fomentada pela organização aponta o potencial das práticas circulares para gerar impacto positivo na esfera social. Estudo é um presente para o terceiro setor e para as empresas, diz Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação
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A Fundação ArcelorMittal, organização dedicada ao investimento social do Grupo ArcelorMittal no Brasil, acaba de lançar uma nova frente de trabalho, com foco na economia circular.

 A estratégia destaca o potencial de circularidade da indústria do aço, posicionando-a como vetor essencial para a transição justa rumo a esse novo modelo econômico, centrado no desenvolvimento humano.

Para direcionar o novo pilar de atuação, a Fundação encomendou um estudo aprofundado sobre a convergência entre o investimento social privado (ISP) e a economia circular (EC) no Brasil.

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 O levantamento, realizado pela plataforma Ago Social, sublinha a relevância do ISP brasileiro, que movimentou R$ 5,4 bilhões em 2022, segundo o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (Gife); e R$ 4,41 bilhões em investimento social corporativo (ISC) em 2023, conforme a Rede Bisc.

Contraponto

Ainda, os dados revelam que apenas o percentual entre 5% e 10% do movimento anual do ISP se conecta a práticas circulares, evidenciando a oportunidade de criação e aprimoramento de estratégias mais robustas de circularidade.

 A pesquisa demonstra, por exemplo, que o ISP tem a capacidade de se tornar um elo estratégico entre inovação econômica, regeneração ambiental e justiça social.

Porém, fatores como a ausência de indicadores comuns de impacto social são desafios para a consolidação desse modelo.

 Outro ponto que chama a atenção é a baixa formalização de catadores, recicladores e cooperativas, registrada em somente 6,5% dos municípios, segundo o Atlas Brasileiro da Reciclagem, uma das fontes consultadas.

“Esse estudo é um presente para o terceiro setor e para as empresas. De forma inédita, ele aponta caminhos para ampliar a associação do investimento social privado à economia circular, fortalecendo a transição justa para uma economia de baixo carbono. Acreditamos que investir em pessoas nessa agenda gera dignidade, trabalho e respeito, um movimento totalmente conectado às diretrizes globais de desenvolvimento sustentável da ArcelorMittal”, declara Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação.

Pessoas

A nova frente de trabalho está fundamentada em três blocos, todos focados na centralidade das pessoas.

O primeiro deles diz respeito ao desenvolvimento de uma cultura de EC na indústria do aço, o que inclui o fortalecimento dos trabalhadores e comunidades e a redução das desigualdades.

Na sequência, está o amadurecimento de processos, com foco em regularização, formalização, saúde, segurança e capacitação.

 Por fim, o terceiro eixo busca estimular a inovação dos negócios, articulando economia circular e economia criativa, por meio de tecnologias que gerem emprego, renda e soluções sustentáveis.

Unidade do Grupo ArcelorMittal em João Monlevade. Foto: Bruno Guimarães

“Investir em um pilar voltado à economia circular, com foco no social, demonstra o alinhamento da Fundação ArcelorMittal e de todo o Grupo ArcelorMittal com as tendências globais de sustentabilidade e corrobora o propósito de gerar impacto positivo a partir de práticas regenerativas”, afirma Camila Valverde.

“A economia circular supera os modelos lineares de cadeia de valor vistos até então. Exatamente por isso, é regenerativa e gera valor para todos os envolvidos. A  pesquisa aponta como o investimento social privado pode ser uma plataforma para que a justiça social esteja presente nesse novo paradigma econômico, consolidando-se como ferramenta fundamental para pautar pautas ações e políticas das empresas no Brasil e no mundo”, diz o CEO e cofundador da Ago Social, Alexandre Amorim.

Circularidade com impacto social

A indústria nacional do aço é um dos principais motores da circularidade no país, com a utilização de 9,2 milhões de toneladas de sucata ferrosa em 2023, segundo a pesquisa realizada pela Fundação ArcelorMittal.

Nesse sentido, a reciclagem popular tem papel crucial. Em nível mundial, a transição para a EC oferece um potencial de até US$ 4,5 trilhões ao ano em oportunidades econômicas até 2030, conforme projeção da Fundação Ellen MacArthur, e pode gerar entre 7 e 8 milhões de empregos no mesmo período, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho.

A nova frente de trabalho está intrinsecamente ligada à performance do Grupo ArcelorMittal como um dos maiores recicladores de metal do mundo.

 Globalmente, a companhia processa cerca de 30 milhões de toneladas de sucata metálica por ano, dos quais cerca de 3 milhões (aproximadamente 10%) são reciclados no Brasil.

Em âmbito nacional, no segmento de aços longos, 54% da produção do aço deriva da reciclagem de sucata.

Nos últimos três anos, a ArcelorMittal Brasil adquiriu cerca de 8,5 milhões de toneladas de sucata, material que foi retirado de aterros e reintegrado ao ciclo produtivo.

Para isso, a empresa mobiliza uma vasta rede de infraestrutura com 20 pontos de recepção de sucata e 25 prensas móveis em todo o país, trabalhando com mais de 2 mil fornecedores e reciclando mais de 18 tipos de sucata.

Além da reciclagem direta da sucata, a ArcelorMittal investe na circularidade completa de seus resíduos industriais, transformando-os em coprodutos valiosos.

Foto: Alexandre Rezende/NITRO

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